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27 de outubro de 2011

CULINÁRIA CIGANA

 Recipes Romaní! Te Aven Baxtale!

Armianca: Salada de alface e tomate (em rodelas); champignon; queijo de cabra, cenoura, beterraba (em pedaços) e berinjela frita (em tiras). Enfeitar com uvas-passas, raminhos de hortelã e pétalas de flores.
Assados: Pernil de carneiro (Bakró); Pernil de leitão (Baló); Cabrito Frito com arroz e brócolis (ou lentilha ou nozes); e/ou roletes de carne bovina ou frango com pedaços de cebola, pimentão (verde e amarelo) e tomate.

Brynza: Queijo de Cabra (cru ou frito).

Chivuisa: Destilado à base de trigo (espécie de Aguardente).

Civiaco: Torta folhada salgada ou doce.

Cozido Manouche: feijões vermelhos grandes, pedaços de carne e osso de pernil de porco, alhos-porós em pedaços, salsão com as folhas em pedaços, alôs comuns inteiros com casca, cenouras e batatas cortadas em pedaços grandes, sal e pimenta-do-reino moída na hora à gosto e arroz branco que deve ser incorporado na última etapa do cozimento.

Goulash: Cozido de arroz, batata, carne e páprica ardida.

Malay: Pão de Milho.

Manrô/Kolako: Pão redondo de Farinha de Trigo.

Mamalyga: Polenta.

Naut: Grão de Bico com lingüiça.

Paprikach: costela defumada (bovina ou suína) e bacon ao molho vermelho de tomate e pimentão com batatas pequenas, cozidas (na casca) e páprica doce.

Papuchá: Pirão de Milho.

Sifrite: Ponche de Frutas com Champanhe e/ou refrigerante. Enfeitar com pétalas de rosa.

Sarmá: Arroz com lentilha, carne seca desfiada e nozes.

Sarmy/Salmava: Charutos ou Rolinhos feitos em folha de repolho recheados com lombo ou carne bovina moída, azeitonas, bacon e molho dourado; e/ou em folha de uva com recheio de bacalhau.

Tchaio/Kavi: Chá Preto ou Mate com pedaços de frutas (maçã: felicidade; uva fresca: prosperidade; uva passa ou ameixa: progresso; morango: amor; damasco: sensualidade; pêssego: equilíbrio pessoal; limão: energia positiva e purificação da alma. Fazer o chá em água fervente e deixar amornar. Colocar as frutas bem maceradas, misturar, coar e beber.

Varenyky: Pastel cozido podendo ser doce (recheado com uva) ou salgado (recheado com batata ou queijo de cabra).

Vino: Vinho tinto.

OBS: Acesse os Sites:
www.11.geocities.com/Paris/512/recipes.htm
www.ziglig.com/culinariasafira

17 de outubro de 2011

Povo Cigano


Povo Cigano

Os ciganos são verdadeiros andarilhos, livres e alegres. Sua origem é indiana, mas surgem dos mais variados lugares com uma descendência infinita, ao ponto em que seria impossível de citar todas. Os mais conhecidos vieram da Espanha, Portugal, Hungria, Marrocos, Argélia, Rússia, Romênia e Iugoslávia. Carregam consigo seus costumes, características e tradições.

Origem

Outras informações sobre as origens dos ciganos foram obtidas através de estudos lingüísticos feitos a partir do século passado pelo alemão Pott, o grego Paspati, o austríaco Micklosicyh e o italiano Ascoli. A comparação entre os vários dialetos que constituem a língua cigana, chamada romaní ou romanês, e algumas línguas indianas, como o sânscrito, o prácrito, o maharate e o punjabi, permitiu que se estabelecesse com certeza a origem indiana dos ciganos.
A maior parte dos indianistas, porém, fixa a pátria dos ciganos no noroeste da Índia, mas os indianistas modernos, têm tendência a não considerá-lo um grupo homogêneo, mas um povo viajante muito antigo, composto de elementos diversos, alguns dos quais poderiam vir do sudeste da Índia.

Diáspora Cigana

A razão pela qual abandonaram as terras nativas da Índia permanece ainda envolvida em mistério. Parece que eram originariamente sedentários e que devido ao surgimento de situações adversas, tiveram que viver como nômades. Mas a origem indiana dos ciganos é hoje admitida por todos os estudiosos, não havendo dúvidas quanto ao que diz respeito à língua e à cultura.
A maioria, igualmente, os ligam à casta dos párias. Isso em parte por causa de seu aspecto miserável, que não se deve a séculos de perseguição, pois foi descrito bem antes da era das perseguições. Também por causa dos empregos subalternos e das profissões geralmente desprezadas na Índia contemporânea pelos indianos que lhes parecem estreitamente aparentados.
A presença de bandos de ex-militares e de mendigos entre os ciganos contribuiu para piorar sua imagem. Além disso, as possibilidades de assentamento eram escassas, pois a única possibilidade de sobrevivência consistia em viver às margens das sociedades.
Os preconceitos já existentes eram reforçados pelo convencimento difundido na Europa que a pele escura fosse sinal de inferioridade e de malvadeza
Os ciganos eram facilmente identificados com os Turcos porque indiretamente e em parte eram provenientes das terras dos infiéis, assim eram considerados inimigos da igreja, a qual, condenava as práticas ligadas ao sobrenatural, como a cartomancia e a leitura das mãos que os ciganos costumavam exercer. A falta de uma ligação histórica precisa a uma pátria definida ou a uma origem segura não permitia o reconhecimento como grupo étnico bem individualizado, ainda que por longo tempo haviam sido qualificados como Egypicios. A oposição aos ciganos se delineou também nas corporações, que tendiam a excluir concorrentes no artesanato, sobretudo no âmbito do trabalho com metais. O clima de suspeitas e preconceitos se percebe na criação de lendas e provérbios tendendo a por os ciganos sob mau conceito, a ponto de recorrer-se à Bíblia para considerá-los descendentes de Caim, e portanto, malditos (Gênesis 9:25). Difundiu-se também a lenda de que eles teriam fabricado os pregos que serviram para crucificar Cristo (ou, segundo outra versão, que eles teriam roubado o quarto prego, tornando assim mais dolorosa a crucificação do Senhor).
Dos preconceitos á discriminação, até chegar as perseguições. Na Sérvia e na Romênia foram mantidos em estado de escravidão por um certo tempo; a caça ao cigano aconteceu com muita crueldade e com bárbaros tratamentos. Deportações, torturas e matanças foram praticadas em vários Estados, especialmente com a consolidação dos Estados nacionais.
Sob o nazismo os ciganos tiveram um tratamento igual ao dos judeus: muitos deles foram enviados aos campos de concentração, onde foram submetidos a experiências de esterilização, usados como cobaias humanas. Calcula-se que meio milhão de ciganos tenham sido eliminados durante o regime nazista. Um exemplo entre muitos: o trem que chegou a Buchenwald em 10 de outubro de 1944 trazia 800 crianças ciganas. Foram todas assassinadas nas câmaras de gás do crematório cinco.
Não se sabe bem por qual razão, os nazistas permitiram que conservassem seus instrumentos musicais. A música serviu-lhes de último consolo. Um sobrevivente não cigano relembra uma passagem do ano de 1939 em Buchenwald: "De repente, o som de um violino cigano surgiu de uma das barracas, ao longe, como que vindo de uma época e de uma atmosfera mais feliz... Árias da estepe húngara, melodias de Viena e de Budapeste, canções de minha terra".
Atualmente, os ciganos estão presentes em todos os países europeus, nas regiões asiáticas por eles atravessadas, nos países do oriente médio e do norte da África. Na Índia existem grupos que conservam os traços exteriores das populações ciganas: trata-se dos Lambadi ou Banjara, populações semi-nômades que os "ciganólogos" definem como "Ciganos que permaneceram na pátria". Nas Américas e na Austrália eles chegaram acompanhando deportados e colonos.
Os primeiros ciganos vieram para o Brasil no século XVI, trazidos pela corte real de D. João VI para divertir a comitiva; sendo eles: cantores, músicos e dançarinos.
Kalon é o nome de uma tribo cigana que veio de Portugal e da Espanha com sua música flamenca. Outras tribos ou grupos foram os Rom vindos da Iugoslávia, Romênia e Hungria. A tribo Cósmica e Kiev vieram da Rússia. Existem mais de 50 tribos no mundo.
Recentes estimativas sobre a consistência da população cigana indicam uma cifra ao redor de 12 milhões de indivíduos.
Deve-se salientar que estes dados são aproximados, pois na ausência de censos, esses se baseiam em fontes de informação nem sempre corretas e confirmadas. Na Itália inicialmente o grupo dos Sintos representava uma grande maioria, sobretudo no Norte; mas nos últimos trinta anos esse grupo foi progressivamente alcançado e às vezes suplantado pelo grupo dos Rom provenientes da vizinha antiga Iugoslávia e, em quantidades menores, de outros países do leste europeu. Na Itália meridional já estava presente há muito tempo o grupo dos Rom Abruzzesi, vindos talvez por mar desde os Balcãs.
Um dos nomes mais freqüentemente dados aos ciganos era o de Egypcios. Por que esse nome? Por que os títulos de duque ou conde do Pequeno Egito adotados com freqüência pelos chefes ciganos? Uma crônica de Constâncio menciona os "Ziginer", que visitam, em 1438, a cidade de uma ilha "não distante do Pequeno Egito". Um dos principais centros na Costa do Peloponeso encontrava-se ao pé do monte Gype, conhecido pelo nome de Pequeno Egito.
Pode-se perguntar por que o local era chamado de Pequeno Egito. Não seria justamente por causa da presença dos Egypicios? O certo é que não pode se tratar do Egito africano. O itinerário das primeiras migrações ciganas não passa pela África do Norte. O geógrafo Bellon, ao visitar o vale do Nilo no século XVI, encontra, diz ele, pessoas designadas de Egypicios na Europa, pessoas que no próprio Egito eram consideradas estrangeiras e recém-chegadas.
Nenhum argumento histórico ou lingüístico permite confirmar a hipótese de algum êxodo dos ciganos do Egito, ao longo da costa africana para ganhar, pelo sul, a Península Ibérica. Ao contrário, os ciganos chegaram à Espanha pelo norte, depois de terem atravessado toda a Europa.
O cigano designa a si próprio como Rom, pelo menos na Europa (Lom, na Armênia; Dom, na Pérsia; Dom ou Dum, Síria) ou então como Manuche. Todos esses vocábulos são de origem indiana (manuche, ou manus, deriva diretamente do sânscrito) e significam "homem", principalmente homem livre. "Rom" e "Manuche" se aplicam a dois dos principais grupos ciganos da Europa Ocidental. Uma designação logrou êxito, a de uma antiga seita herética vinda da Ásia Menor à Grécia, os Tsinganos, dos quais subsistia - quando da chegada dos ciganos à terra bizantina - a fama de mágicos e adivinhos.
Os gregos diziam Gyphtoï ou Aigyptiaki; os albaneses, Evgité. Depois que partiram das terra gregas, ficou-lhes esse nome, sob diversas formas. O nome Égyptien era de uso corrente na França do séc. XV ao XVII. Em espanhol, Egiptanos, Egitanos, posteriormente Gitanos (de onde surgiu Gitans em francês); às vezes em português Egypicios; em inglês Egypcians ou Egypcions, Egypsies, posteriormente Gypsies; em neerlandês, Egyptenaren, Gipten ou Jippenessen.

Língua

A língua cigana (o romani) é uma língua da família indo-européia que, pelo vocabulário e pela gramática, está ligada ao sânscrito, eles não permitem sua divulgação e tradução para que os Gadjoes (não-ciganos) não conheçam seus segredos. Fazendo parte do grupo de línguas neo-indianas, é estreitamente aparentada a línguas vivas tais como o hindi, o goujrathi, o marathe, o cachemiri.
No entanto, eles assimilariam muitos vocábulos das línguas dos países por onde passaram.
Outros dialetos como o Caló também são usados por alguns grupos.

23 de junho de 2011

COZINHA CIGANA


Rigo Jancsi

Esta famosa tortilha leva o nome do cigano húngaro Rigo Jancsi que raptara uma princesa por amor. No casamento dos dois, serviu-se a torta em homenagem aos noivos, pois era o doce predileto de Rigo, com o qual presenteava sua amada. O nome Rigo Jancsi significa João Canário.

Ingredientes
8 colheres de sopa de manteiga
13 colheres de sopa de açúcar
4 ovos
1 xícara de chá de farinha de trigo
3 colheres de sopa de cacau em pó
100 gramas de chocolate em barra
4 xícaras de chá de creme de leite sem soro
30 gramas de geléia de damasco
150 gramas de chocolate meio amargo derretido

Modo de Fazer
Misture 8 colheres de manteiga e três colheres de sopa da açúcar, até formar um creme. Bata as quatro claras em neve, com 5 colheres de sopa de açúcar, e junte ao creme. Depois, acrescente 1 xícara de farinha de trigo e 3 colheres de sopa de cacau em pó. Estenda a massa numa espessura de cerca de 2 cm e coloque numa assadeira redonda média, coberta com papel manteiga. Leve ao forno pré-aquecido a 220º C. Quando a massa estiver assada, polvilhe sua superfície com farinha de trigo e vire-a, retirando o papel e deixando-a esfriar. Agora, derreta o chocolate em banho-maria. Ferva o creme de leite e espere esfriar. Depois bata-o com 5 colheres de açúcar até o ponto de chantili. Acrescente ao chocolate quente, aos poucos, batendo sempre para não encaroçar. A seguir, corte a massa em duas partes iguais e uma delas cubra com geléia de damasco e depois com o chocolate derretido. Cubra a outra metade da massa com o chantili misturado ao chocolate. Em seguida, junte as duas metades e cubra a torta com chocolate derretido em creme de leite e guarde na geladeira.

A MAGIA DO FLAMENCO


A MÚSICA E A DANÇA FAZEM PARTE DA TRADIÇÃO MAIS ANTIGA DOS CIGANOS. SEUS MÁGICOS ACORDES INFLUENCIARAM GRANDES MESTRES DA MÚSICA UNIVERSAL COMO BACH, LIZST, MONTI E BIZET.

FESTA NO ACAMPAMENTO!

Diz uma antiga lenda que os ciganos dançam desde o útero materno. Já nascem realizando uma coreografia própria de quem tem sangue cigano nas veias. Este sim é o verdadeiro sentido do bailado cigano. Alegre ou melancólica, a dança cigana é realizada de corpo e alma, seja para comemorar, louvar ou fazer surgir do fundo da alma a resistência, que justifica a trajetória deste povo pelo mundo. Prova disso são os inúmeros ritmos da dança: bulerías, alegrias, tanguilhos, sevilhanas, rumbas, farrucas, soleares.
Através do Flamenco, ritmo que ganhou maior expressão na Espanha, os ciganos que vieram primeiramente para o Brasil, encantaram nobres e plebeus nas festas do Campo de Sant’Ana e do pátio interno do Paço Imperial, no Centro do Rio de Janeiro, conhecido como Pátio dos Ciganos.
A dança flamenca, identificada como a dança tipicamente espanhola e cigana, tem uma história de perseguição muito semelhante a dos ciganos. O nome flamenco deriva do árabe jelah mengu, que quer dizer camponês foragido. A dança é uma mistura de elementos judaicos, espanhóis e muçulmanos, e surgiu de forma clandestina, nas grutas e cárceres por onde passavam os perseguidos pelas leis de Espanha, principalmente no tempo da Inquisição.
Quem assiste a um baile flamenco, sente que os movimentos do corpos dos bailarinos comunicam um sentimento forte, fruto de uma revolta e de um grande inconformismo, cheio de altos e baixos emocionais. É mesmo impossível não perceber que nos taconeos ou sapateados a dança flamenca marca o compasso do coração humano, que ora salta de alegria e outras horas arde de dor e tristeza. Dança de movimento vibrante, o grande êxtase do Flamenco é mostrar o vigor e a vitalidade dos movimentos de mãos, braços e sapateados que traduzem paixão, alegria, a melancolia transformada em força e o amor pela vida, justificando a resistência a todas as formas de perseguições.

OS RITUAIS DE SEDUÇÃO DA DANÇA

Arde uma fogueira no meio do acampamento. É dia de festa e as violas somam seus acordes às castanholas e pandeiros. As danças de fundo cerimonial são executadas dentro dos clãs, e não se prestam aos espetáculos públicos.
Fruto da assimilação dos elementos de outras culturas, uma das mais famosas é a Dança dos Lenços, inteiramente ritualística. No Flamenco o mantón e o xale substituem os lenços das demais danças ciganas. Ambos são aparatos de proteção e ao mesmo tempo de sedução. A mulher parece desnudar-se para seu amado, como se descobrisse para ele o próprio corpo e o próprio segredo de amor.
Através do leque a mulher comunica sua determinação ao abri-lo, num movimento rápido de som agradável e forte. Assim que consegue atrair a atenção do homem, assume a postura soberba de uma rainha ou de uma recatada donzela, encobrindo o rosto para estimular seu pretendente a demonstrar suas verdadeiras intenções. Ritualisticamente é comum dançar abanando o leque sobre a cabeça e ao redor do corpo, para ativar a energia física e chamar os bons espíritos.
No tango espanhol, bem diferente do tradicional tango argentino, é produzido com movimentos sensuais estimulantes, utilizando como adereço um chapéu que, se retirado da cabeça da bailarina, pode ser levado à altura dos quadris e do peito. Tem um belo ar majestoso, temperado de humor. Porém, mais rápido, é conhecido como tanguilho. As castanholas, de origem moura e indiana, produzem a percussão que fazem dos improvisos entre bailarinos e guitarristas verdadeiros diálogos de grande carga dramática. O som das castanholas ativam a energia do ambiente, produzindo uma limpeza energética que afasta maus fluidos.

OS SEDUTORES RITMOS FLAMENCOS
Soleá - ritmo-mãe do flamenco. A palavra Soleá é uma abreviatura cigana para Soledad-solidão. Seus acordes melancólicos traduzem o lamento, a dor da perda.
Alegría - tem o ritmo idêntico ao do soleá, porém mais vibrante, alegre de acordes animados.
Bulería - ritmo que possui variantes na dança. Transformam espontaneamente o ritmo festivo do Flamenco em paixão, hipnotizando a platéia. A palavra Bulería, vem de burlar, enganar.
Sevillanas - As populares sevillanas andaluzas têm um ritmo contagiante e alegre. São geralmente dançadas em duplas de homens, mulheres e crianças. Desdobram-se em quatro partes, quando acontecem as mudanças dos pares.
Farruca - A sóbria e viril farruca é comumente dançada por homens. Mas hoje em dia, as melhores bailarinas flamencas também exibem a destreza de seus passos na farruca, como a famosa Sara Baras. O próprio nome farruca significa valente.
Mallaguenha - A província de Mallaga desenvolveu seu próprio ritmo flamenco e criaram seu próprio canto apropriado a um estado de espírito cujas letras acompanham as mais profundas emoções humanas.
Seguiriyas - Ritmo de grande descarga emocional, é o mais cigano do flamenco. Seus acordes e sapateados soam como desabafos e reclamações pelo amor perdido, pela falta de liberdade, pelo ódio ou revolta, exigindo do bailarino e do guitarrista muita vibração emocional.

Hay de tener la sagre de los gitanos para bailar el flamenco!
A dança flamenca é a dança da energia vital. Batemos os pés num tablado para receber da terra a resposta sonora que traz força e coragem. O Baile Gitano, como é chamada a dança, tem que ser realizado de corpo e alma. A expressão dos olhos é decisiva para a interpretação correta dos ritmos.
A coreógrafa Liane de Luna, especializou-se em Madrid e baila o flamenco gitano há mais de dez anos. É ela quem ensina:
A mulher que baila o flamenco tem uma postura firme e sedutora. Todo o gestual da dança reúne energia, beleza, sedução e a paixão gitana. As mãos dão e oferecem carinho e a energia dos bailarinos. Como duas pombas, desenham círculos no ar. Os braços cruzam-se para marcar o poder explosivo do encontro com a dança. Quando abertos ou ao alto revelam a entrega do personagem ao público. Para baixo, a espera consciente, e braços ao lado do corpo, caminhado, num paseo romântico. Texto de Liane de Luna, professora e bailarina de danças cigana, flamenca e árabe.

10 de junho de 2011

Horóscopo Cigano


Punhal (21/03 a 20/04)
O Punhal é a imagem da luta e vontade de vencer. Representa honra, vitória e êxitos. Os ciganos também usavam o punhal para abrir matas, sendo então, símbolo de superação e pioneirismo. A pessoa sob esta influência é uma pessoa irrequieta, firme e dona de si mesma. Ousada, tem uma personalidade forte e odeia ser subestimada. Quando isso ocorre, torna-se agressiva. Ama demais, é fiel e adora sexo. Não é econômica, mas sabe controlar o dinheiro. Sai-se bem em esportes, artes marciais e cargos de chefia e liderança.
Coroa (21/04 a 20/05)
Relaciona-se ao ouro e a nobreza. É símbolo de amor puro, força, poder e elegância, o que torna a pessoa desse elemento valorizada e importante. A pessoa sob esta influência luta pelo que quer, pois a estabilidade financeira lhe é fundamental. Nasceu para administrar e querer ser dona de seu próprio trabalho. É fiel no amor, sensível e não suporta que brinquem com seus sentimentos. Gosta das artes e tem grande criatividade para trabalhar nesse setor.
Candeias (21/05 a 20/06)
Representa as luzes e a verdade, portanto a sabedoria e a clareza de idéias. As candeias eram usadas para iluminar os acampamentos. Também simbolizam a esperteza e a vivacidade. A pessoa sob esta influência é comunicativa e tem uma inteligência brilhante, fazendo muitos amigos. Adora estudar e pesquisar, principalmente, o que se relaciona a ela mesma. É romântica e nunca desiste de uma conquista, mesmo que não se envolva por completo. Quando quer algo, consegue.
Roda (21/06 a 21/07)
Por representar o ir e vir e estar relacionada à Lua, pela sua forma arredondada, as pessoas regidas por esse signo tem urna forte ligação com as mulheres e gestantes em geral. A emoção é a palavra que traduz seu jeito. A Roda move sua vida na alegria e na tristeza. É dócil e tranqüila, mas, quando se irrita, sai de baixo. É um pouco insegura e tem uma certa tendência à nostalgia. Ama com intensidade e sente muito ciúme.
Estrela (22/07 a 22/08)
A estrela cigana possui seis pontas, formando dois triângulos iguais, que indicam a igualdade entre o que está a cima e o que está a baixo. Representa sucesso e evolução interior. A pessoa que nasce sob esta influência é otimista e alto astral, nasceu para brilhar. Curte a vida intensamente e tem um talento especial para atrair as pessoas. Vive rodeada de amigos, mas tem mania de querer que tudo seja como você deseja. Conseguirá ótimas oportunidades como atriz, dançarina, modelo, cantora, etc.
Sino (23/08 a 22/09)
Exatidão e perfeição. Nos séculos passados, era usado como relógio, e os ciganos o associaram à pontualidade, à disciplina e à firmeza. A pessoa sob esta influência é bastante organizada, ambiciosa, que supera sempre suas próprias expectativas. Acha que a vida é para ser aproveitada nos mínimos detalhes, porém, com consciência e sem exageros. Muito inteligente, analisa e critica tudo o que está ao seu redor. Sai-se bem trabalhando com administração.
Moeda (23/09 a 22/10)
A moeda é associada ao equilíbrio e à justiça e relacionada à riqueza material e espiritual, que é representada pela cara e coroa. Para os ciganos, cara é o ouro físico, e coroa, o espiritual. A pessoa sob esta influência é sensível, charmosa, vive de amores e sentimentos. Tem que estar apaixonada sempre. As atenções se voltam para você facilmente. Tem talentos artísticos e decorativos. Adora ajudar às pessoas e vive para isso. Razão pela qual está sempre cercada de amigos e companheiros.
Adaga (23/10 a 21/11)
A adaga é entregue ao cigano quando ele sai da adolescência e ingressa na vida adulta. Por isso, é associada também à morte, ou seja, às mudanças necessárias que a vida nos oferece para crescermos. A pessoa sob esta influência tem um temperamento forte e enigmático, se torna irresistível e respeitada. Possui uma mente analítica, percebendo tudo o que está ao seu redor. Sempre procura se aprofundar no que está à sua volta, seja no amor ou no trabalho. Ama de maneira sensual e arrebatadora.
Machado (22/11 a 21/12)
O machado é o destruidor de bloqueios e barreiras. Ele simboliza a liberdade, pois rompe com todas os obstáculos que a natureza impõem. A pessoa sob esta influência tem a liberdade como a palavra que mais gosta de falar e curtir. Aventureira, jamais permanece parada em um só lugar. É como o vento, que tudo toca, em tudo está, mas em nada fica. Otimista, até as dores para você são sinais de alegria. Apaixona-se e se desapaixona facilmente. Dá-se bem com trabalhos sem rotinas em que possa aprender sempre.
Ferradura (22/12 a 20/01)
A ferradura representa o esforço e o trabalho. Os ciganos têm a ferradura como um poderoso talismã, que atrai a boa sorte, a fortuna e afasta o azar. A pessoa sob esta influência tem seu bom senso, às vezes se torna séria demais. Tem, então, que se soltar um pouco mais. Raramente, confia em alguém. Busca amores estáveis e concretos. Pretende casar e ter filhos. É completamente familiar, ama os poucos amigos e se dedica à profissão.
Taça (21/01 a 19/02)
União e receptividade, pois qualquer líquido cabe nela e adquire sua forma. Tanto que, no casamento cigano, os noivos tomam vinho em uma única taça, que representa valor e comunhão. A pessoa sob esta influência sente uma grande preocupação com os assuntos à sua volta. Inteligente, humana, inquieta, tem vários amigos sinceros. Original, está sempre inovando. Vive atrás da felicidade. No amor, aprecia a sinceridade e a fidelidade.
Capela (20/02 a 20/03)
Representa o grande Deus. É sinal de religiosidade e fé. É o local em que todos entram em contato com seu Deus interno e desperta a força e o amor. A pessoa sob esta influência é emotiva, sensível, leal, justa, espiritualizada e sonhadora, é o próprio amor encamado. Tem muita força espiritual e dons para a clarividência. Ama cegamente e, às vezes, se desilude. É romântica e carinhosa. Quanto ao trabalho, gosta de tudo o que se relaciona a ajudar ao próximo.

OS 7 ENSINAMENTOS CIGANOS


1- FELICIDADE - um campo aberto, um luar, um violão, uma fogueira, o canto do sabiá e a magia de uma cigana.

2- ORGULHO - é saber que nunca participamos de guerras e nunca armamos para matar nossos semelhantes. Somos os menestréis da paz.

3- AMOR - amar é vivermos em comunidade, é repartir o pão, nossas alegrias e até nossas aflições.

4- LEALDADE - é não abandonar nossos irmãos quando precisam. É nunca negar o ombro amigo, a mão forte e o incentivo à vida.

5- RIQUEZA - é termos o suficiente para seguirmos pela estrada da vida.

6- NOBREZA - é fazermos da humilhação um incentivo ao perdão.

7- HUMILDADE - é não importar-se em ser súdito ou nobre, importar-se apenas em saber servir.

Símbolos Ciganos



CORUJA.
Simboliza Sabedoria.
É usado como símbolo dos feiticeiros para atrair a sorte e para ampliar a percepção com a sabedoria, símbolo muito usado para que possamos enxegar através das trevas.

ÂNCORA.
Simboliza Segurança.
É usada para trazer segurança e ancoramento da alma no plano material.
CHAVE.
Simboliza a Abertura de todas as portas.
É usado para mostrar as portas de abertura para um novo caminho, seja ele de amor, prosperidade, saúde, etc.,
ESTRELA DE 5 PONTAS.
Simboliza Perfeição
É usado para todos os tipos de proteções, sorte e sabedoria, representa o ser humano como um todo, o domínio do corpo da mente e do espírito, também conhecida como Pentagrama.
ESTRELA DE 6 PONTAS.
Simboliza Proteção.
Normalmente utilizada pelo Barô do clã, por ser o mais velho e o mais sábio, traz para dentro de nós a força da experiência, harmonia e sabedoria. Conhecida também como a Estrela de David.
FERRADURA.
Simboliza Sorte.
Muito utilizada atrás das tendas ciganas para atrair sorte e fartura, e afastar energias negativas, normalmente os ciganos a enfeitam.
LUA.
Simboliza os Mistérios Ocultos.
A lua na vida dos ciganos é tudo, Todas as magias são feitas através dela e das fases que ela se encontra, utilizada para magias de amor, exorcismo, cura interior e exterior, e, para as grandes festas onde são feitas na lua cheia. Também conhecida como a lua dos amantes.
MOEDA.
Simboliza Prosperidade.
Muito utilizada em magia de prosperodade principalmente se for de ouro, esta relacionada com a riqueza de uma forma em geral seja material ou espiritual, para os ciganos cara é o material e coroa e espiritual.

PUNHAL.

Simboliza o Poder
Símbolo do elemental fogo, representa a força e o poder de transmutar qualquer energia negativa, imprescindível em qualquer ritual mágico cigano. a ciganos que carregam mais de um punhal consigo, tamnha força que ele tem. utuilizado em vários rituais ciganos como casamento, batismo, iniciação, etc.,
RODA.
Símbolo da Bandeira Cigana.
Representa a Samsara, o ir e vir, podendo também representar o nosso ciclo de vida, morte e renascimento, é usada para atrair a evolução e o equilíbrio. A roda é representado pela roda dos vurdón que gira.
TAÇA.
Simboliza a União.
Qualquer líquido que entrar nela adquire sua forma no casamento cigano, os noivos tomam vinho em uma única taça, que representa a união dos noivos.

TREVO.
Símbolo da Sorte.
Os ciganos acreditam que se você achar um travo de quatro folhas em seu caminho ele lhe trará felicidade e fortuna.

Usos e Costumes dos Ciganos


Lourivaldo Perez Baçan

Ao longo do tempo, após sua chegada à Europa, os ciganos foram acusados de toda espécie de crime pelas populações sedentárias, que não entendiam como um povo poderia viver com tanta liberdade, sem apego a uma terra determinada.
Além disso, da admiração inicial, fomentada, principalmente pelos líderes religiosos, iniciando-se pelo Arcebispo de Paris, quem primeiro ligou os ciganos à bruxaria, os ciganos passaram a ser vistos como verdadeiros inimigos da fé cristã, que contra eles lançou um processo sistemático de perseguição e destruição.
As lendas que ligam os ciganos aos sofrimentos da Sagrada Família, da morte das crianças em Belém, da traição de Judas e do roubo do quarto cravo foram criadas com o fim específico de jogar contra esse povo a ira cristã, já que essas lendas não resistem à mais superficial análise histórica, tratada com a seriedade com que foi elaborada a pesquisa lingüística que determinou a origem desse povo.
Assim, além dessas lendas infames e destinadas a desacreditar os ciganos, outras acusações foram sendo acrescentadas. Bruxaria, feitiçaria, canibalismo e outras barbaridades foram atribuídas aos ciganos, enquanto eram sistemática e metodicamente perseguidos.
Esse comportamento ainda hoje persiste. Os ciganos ainda são relacionados a tudo de ruim que possa acontecer numa comunidade e sua chegada muitas vezes é motivo de reações até violentas da parte de cidadãos menos esclarecidos.
Associam-nos ainda a roubos, desastres naturais, como ventanias e tempestades, além de toda sorte de trapaças e falsificações.
Na raiz de tudo isso encontra-se o fato inegável de que ciganos e gadjos têm modos diferentes de encarar a vida. A ignorância é a principal causa desse tratamento dispensado pelos sedentários aos ciganos, pois não conseguem compreender esse estilo de vida.
Retirado do Livro: Ciganos, os filhos do vento – Lourivaldo Perez Baçan

Santa Sara Kali


Sara é um referencial de fé e de amor. É uma mensageira de Jesus Cristo. É um farol de luz para aqueles que estão perdidos. É o perfume que segue os ciganos na liberdade das estradas. É a Padroeira dos ciganos nos quatro cantos do mundo.
O Santuário de Santa Sara Kali está localizado na Igreja de Notre Dame de La Mer, cidade provençal de Saint-Marie-de-La-Mer, no sul da França. Todos os anos, ciganos do mundo inteiro peregrinam às margens do mar Mediterrâneo para louvar Santa Sara, nos dias 24 e 25 de maio.
Existem várias versões com as lendas de Santa Sara Kali. Entre os anos 44 e 45, por causa das perseguições cristãs, pela ira do Rei Herodes Agippa, alguns discípulos de Jesus Cristo foram colocados em embarcações, entregues à própria sorte. Em uma dessas embarcações estavam Maria Madalena, Maria Jacobé, Maria Salomé, José de Arimatéia e Trofino que, junto com Sara uma cigana escrava, foram atirados ao mar. Milagrosamente a barca, sem rumo, atravessou o oceano e aportou em Petit-Rhône, hoje Saint-Marie-de-La-Mer, na França.
Segundo a lenda, as três Marias, em desespero em alto mar, sem esperanças de sobreviver, choravam e rezavam o tempo todo. Sara, ao ver o sofrimento das amigas, retirou o diklô (lenço) da cabeça e chamou por Kristesko (Jesus Cristo), fazendo um juramento ao Mestre, no qual Sara tinha fervorosa fé. A cigana prometeu que, se todos se salvassem, ela seria escrava do Senhor e jamais andaria com a cabeça descoberta, em sinal de respeito.
O diklô é um simbolismo forte entre os ciganos. Significa a aliança da mulher casada em sinal de respeito e fidelidade. Santa Sara protege as mulheres que querem ser mães e sente dificuldades em engravidar. Protege, também, os partos difíceis. Basta ter fé na sua energia.

A Religião e os Ciganos


Os ciganos, ao deixarem a Índia, não carregaram suas divindades. Eles possuíam na sua língua apenas uma palavra para designar Deus (Del, Devel). Eles se adaptaram facilmente às religiões dos países onde permaneceram. No mundo bizantino, tornaram-se cristãos. Já no início do século XIV, em Creta, praticavam o rito grego. Nos países conquistados pelos turcos, muitos ciganos permaneceram cristãos enquanto que outros renderam-se ao Islã. Desde suas primeiras migrações em direção ao Oeste eles diziam ser cristãos e se conduziam como peregrinos.
A peregrinação mais citada em nossos dias, quando nos referimos aos ciganos, é a de Saintes-Maries-de-la-Mer, na região da Camargue (sul da França). Antigamente era chamada de Notres-Dames-de-la-Mer. Mas não foi provado que, sob o Antigo Regime, os ciganos tenham tomado parte na grande peregrinação cristã de 24 e 25 de maio, tão popular desde a descoberta no tempo do rei René, das relíquias de Santa Maria Jacobé e de Santa Maria Salomé, que surgiram milagrosamente em uma praia vizinha.
Nem que já venerassem a serva das santas Marias, Santa Sara a Egípcia, que eles anexarão mais tarde como sua compatriota e padroeira.
A origem do culto de Santa Sara permanece um mistério e foi provavelmente na primeira metade do século XIX que os Boêmios criaram o hábito da grande peregrinação anual à Camargue.
Muitas ciganas que não conseguiam ter filhos faziam promessas a ela, no sentido de que, se concebessem, iriam à cripta da Santa, em Saintes-Maries-de-La-Mer no Sul da França, fariam uma noite de vigília e depositariam em seus pés como oferenda um Diklô, o mais bonito que encontrassem. E lá existem centenas de lenços, como prova que muitas ciganas receberam esta graça.
Sua história e milagres a fez Padroeira Universal do Povo Cigano, sendo festejada todos os anos nos dias 24 e 25 de maio. Segundo o livro oráculo (único escrito por uma verdadeira cigana) "Lilá Romai: Cartas Ciganas", escrito por Mirian Stanescon - Rorarni, princesa do clã Kalderash, deve ter nascido deste gesto de Sara Kali a tradição de toda mulher cigana casada usar um lenço que é a peça mais importante do seu vestuário: a prova disto é que quando se quer oferecer o mais belo presente a uma cigana se diz: "Dalto chucar diklô" (Te darei um bonito lenço). Além de trazer saúde e prosperidade, Sara Kali é cultuada também pelas ciganas por ajudá-las diante da dificuldade de engravidar.

Cigana Damira


Conta a tradição que, certa vez, estava uma cigana sentada em uma grande almofada colorida, no interior de sua tenda, quando em sua frente formou-se um clarão azul-celeste.
Desse clarão surgiu a imagem de uma linda mulher, sem características de cigana, mais parecendo uma daquelas deusas da mitologia grega.
A mulher usava uma longa túnica e um véu que cobria seu nariz e sua boca, deixando descobertos somente seus grandes olhos negros.
A linda mulher começou a falar com a cigana, usando um dialeto que ela desconhecia, mas que na sua mente captava e transformava em uma mensagem:
"A partir de agora, cigana, você usará pedras em suas magias.
Bem perto daqui, existe uma gruta repleta de pedras. Vá até lá e apanhe muitas pedras coloridas."
Em seguida, o clarão se desfez levando consigo a imagem da linda mulher.
A cigana ficou muito assustada com tudo o que acontecera, principalmente porque pedras não faziam parte dos rituais do seu povo. Levantou-se e foi caminhar pelos montes, onde existia uma cachoeira.
De repente, observou que havia uma grande abertura nas rochas da cachoeira, e lembrou-se da mensagem que ouvira.
Caminhou até a rocha, passou pela grande abertura e avistou uma gruta com muitas pedras, todas cheias de pontas e das mais variadas cores.
Até parecia que um arco-íris estava ali, dentro da gruta.
A cigana voltou ao campamento, apanhou uma candeia para clarear a gruta, que era um pouco escura, e uma ferramenta com que pudesse bater nas pedras e quebrá-las em pequenos pedaços;
e foi para a gruta na cachoeira.
Algum tempo mais tarde, saiu da gruta e voltou para o campamento levando muitas pedras pontiagudas de várias cores; espalhou-as no tapete de sua tenda e começou a admirá-las.
As pedras transmitiam uma luz e uma força que a cigana desconhecia. Nesse momento, apareceu o mesmo clarão com a imagem da linda mulher, e a mente da cigana captou uma mova mensagem:
"Esta será sua nova magia. A magia das pedras, dos cristais.
Eu lhe darei a força de Atlântida e você será a primeira mensageira dos cristais do planeta Terra.
Com os cristais, você e seu povo cigano farão mentalizações para todas as finalidades: curar doenças, atrair sorte e prosperidade no amor e nos negócios, afastar negatividades e muitas outras mais."
Em seguida, o clarão azul e a linda mulher desapareceram.
A cigana procurou o chefe de seu grupo e contou tudo o que acontecera.
Todos do grupo se reuniram e, junto com a cigana, foram até a gruta, mas só avistaram a cachoeira e as rochas, porque a abertura que levava até a gruta, inexplicavelmente, não existia mais.
Voltaram para o acampamento e, após uma longa conversa, concluiram que tudo não passara de energias do passado atuando no presente, diretamente sobre a cigana, que fora escolhida para ser a primeira cigana a usar pedras e cristais em suas magias.
Por isso, ela é chamada de cigana Damira, a rainha dos cristais. Sempre protegida por uma deusa de Atlântida, era uma das preferidas do Faraó Akenaton.
Este é o porquê dos ciganos usarem pedras e cristais em suas magias.
(Autor Desconhecido)

Casamento Cigano


No casamento tende-se a escolher o cônjuge dentro do próprio grupo ou subgrupo, com notáveis vantagens econômicas. A importância do dote é fundamental especialmente para os Rom; no grupo dos Sintos se tende a realizar o casamento através da fuga e conseqüente regularização.
Desde pequenas, as meninas ciganas costumam ser prometidas em casamento. Os acertos normalmente são feitos pelos pais dos noivos, que decidem unir suas famílias. O casamento é uma das tradições mais preservadas entre os ciganos, representa a continuidade da raça, por isso o casamento com os não ciganos não é permitido em hipótese alguma. Quando isso acontece a pessoa é excluída do grupo (embora um cigano possa casar-se com uma gadjí, isto é, uma mulher não cigana, a qual deverá porém submeter-se às regras e às tradições ciganas).
É pelo casamento que os ciganos entram no mundo dos adultos. Os noivos não podem Ter nenhum tipo de intimidade antes do casamento. A grande maioria dos ciganos no Brasil, ainda exigem a virgindade da noiva. A noiva deve comprovar a virgindade através da mancha de sangue do lençol que é mostrada a todos no dia seguinte. Caso a noiva não seja virgem, ela pode ser devolvida para os pais e esses terão que pagar uma indenização para os pais do noivo. No caso da noiva ser virgem, na manhã seguinte do casamento ela se veste com uma roupa tradicional colorida e um lenço na cabeça, simbolizando que é uma mulher casada.
Durante a festa de casamento, os convidados homens, sentam ao redor de uma mesa no chão e com um pão grande sem miolo, recebem dos os presentes dos noivos em dinheiro ou em ouro. Estes são colocados dentro do pão ao mesmo tempo em que os noivos são abençoados. Em troca recebem lenços e flores artificiais para a mulheres. Geralmente a noiva é paga aos pais em moedas de ouro, a quantidade é definida pelo pai da noiva.
O primeiro dia
Algumas particularidades distinguem e dão a um casamento cigano o seu caráter específico. A festa de casamento é prevista para durar de dois a vários dias, reunindo ciganos de todas as partes do país, e mesmo do exterior, pois os convites são dirigidos aos membros da comunidade em geral.
As despesas das festas de noivado e de casamento, incluindo sua organização e o vestido de noiva, são de responsabilidade da família do noivo. Os preparativos do banquete de casamento ocorrem na residência dos pais dos noivos. Num esforço comunitário, com a participação dos parentes mais próximos do noivo - homens e mulheres envolvidos - são preparados os pratos típicos da festa.
No dia do casamento na igreja, antes de todos partirem para a cerimônia, ocorre uma seqüência de eventos, agora na casa da noiva. Esta já está pronta, vestida de branco, quando chega a família do noivo, dançando ao som de músicas ciganas.
Na sala de jantar, onde já está disposta a mesa com diversas comidas e bebidas, os homens se sentam. De um lado da mesa, a família do noivo. Do outro, a da noiva. A conversa acontece em romani, as mulheres permanecem à volta. É simulada uma negociação - a compra ritual da noiva. Moedas de ouro trocam de mãos. Em seguida, abrem uma garrafa de bebida, envolvida em um pano vermelho bordado, que os homens à mesa bebem – a proska .
Surge então a noiva, vestida de branco, pronta para a Igreja. Mais música e agora a noiva dança com o padrinho, ainda na sala de jantar/estar. Em seguida, todos saem para se dirigirem à igreja. O cortejo com as famílias seguindo, e apenas o noivo não estava presente, pois aguarda na igreja. Lá, a cerimônia é convencional, exceto pelos trajes dos convidados e padrinhos vestidos com as tradicionais roupas ciganas, e a profusão de jóias. Apenas algumas dezenas de convidados compareceram à cerimônia religiosa, considerada mais íntima.
O momento seguinte do casamento ocorre no acampamento onde um conjunto garante a animação musical da festa. Desde o início, danças em círculo e uma bandeira vermelha com o nome dos noivos. Os convidados vão chegando aos poucos, juntando-se às danças, enquanto duas grandes mesas, são arrumadas. No banquete, homens e mulheres ficarão separados, em lados opostos.
A festa vai chegando ao fim quando a noiva a deixa, juntamente com a família do noivo, à qual passa a pertencer. Entre a festa do primeiro dia e a que ocorrerá no dia seguinte, há a noite de núpcias do casal.
O segundo dia
A festa começa novamente no dia seguinte, agora na casa dos pais do noivo, onde o casal passa a residir. O banquete continua - agora para um número menor de convidados. No lugar do branco do dia anterior, o vermelho se sobressai na festa - nos cravos, usados pelos convidados, na decoração, na bandeira, nas roupas da noiva. Esta, recebe cada convidado, junto a uma bacia com água de onde tira cravos vermelhos, para oferecer-lhes. Em troca, recebe notas de dinheiro, geralmente de pequeno valor.
A continuação da festa de casamento, depois do primeiro dia, será toda voltada para a noiva, que é agora, uma mulher casada. Sempre acompanhada do marido, ela deixa o semblante triste que a acompanhou até este momento.

23 de maio de 2011

Poesia Cigana


Esta poesia foi escrita (em 1999) por um cigano, no idioma dos Sintos
Piemonteses, com os votos de que eles não se esqueçam da língua de seus
pais.Talvez seja necessário começar a entender que se pode aprender (ou
reaprender) uma língua para servir a ela, para fazer com que ela não morra,
mas continue a existir como uma parte importante da identidade de um povo...


Cib marí
Kamáva tucib marí.Tu sal bravalí ta cororísar jamén.
Kántu sam bibaxtaléménge tu déssa le láu par te rovás,
kántu sam kontánménge tu déssa le láu par te sas,
kántu si-amén bróxa te garavássa mentu, cib marí, déssa ménge ne vast.
But pirdál méncapren sa le dromá do vélto,sálas i jag da maré giljá,
ma kanáandrén kalá džungalé plásekaj cidéna men le gadžétu meréssa ne písla
óni divés,sar jamén.
Se našavássa tunínge jamén sam našadé.
Šunén cavalé,šun ternibén,maré puré Síntimukjén-le méngekajá šukár, gulí
cib.
Na bistarás la,sikavás la kaj maré cavé,indžarás la sémpar méncasar o
kórkoro braválimoke si-amén.

Nossa língua
Amo você,nossa língua.Você é rica e pobre como nós.Quando estamos tristes
você nos dá as palavras para chorar,quando estamos contentes você nos dá as
palavras para nos alegrar quando temos que nos esconder você, nossa língua,
nos ajuda. Você viajou junto a nós ao longo das estradas do mundo,era o fogo
das nossas canções,e agora nestes terrenos insalubres que os gagês nos
reservam você morre um pouco a cada dia,como nós.Se te perdermos nós também
estaremos perdidos.Escutem, rapazes,escute, juventude,os nossos velhos
Sintosnos deixaram esta bela e doce língua. Não a esqueçamos,ensinemos aos
nossos filhos,conservemos sempre conosco como o único tesouro que nos
pertence.

20 de maio de 2011

CONHEÇA A PROTEÇÃO DE VIRGEM SARA


Oração

Milagroso Canto à Santa Sara
Farol do meu caminho!
Facho de Luz!
Paz!
Manto protetor! Suave conforto!
Amor! Hino de alegria!
Abertura dos meus caminhos!
Harmonia!
Livra-me dos cortes!
Afasta-me das perdas!
Dai-me a sorte!
Faz da minha vida um hino de alegria!
E aos teus pés me coloco, minha Sara,
Minha Virgem Cigana!
Toma-me como oferenda e me faz de flor profana o mais puro lírio
que orna e traz bons presságios à Tenda.
Salve, Virgem Sara! Salve, Virgem Sara! Salve, Virgem Sara!

*Reza-se o Milagroso Canto a Virgem Sara durante 9 dias seguidos, com uma vela prateada acesa para cada dia., na mão direita, depois disso, coloca-se num castiçal. Esta oração foi ensinada por Antor, sábio cigano e amigo e está sendo distribuída em Saintes-Maries-de-la-Mer, único santuário da santa.

Frutas Ciganas


Doces e suculentas, espalham-se generosamente sobre toalhas vermelhas, em festas alegres e cheias de música. Apaixonados por frutas, os ciganos as usam em todas as ocasiões, além de empregá-las em chás, banhos e mágicas poções.

CONHEÇA O SIMBOLISMO DE ALGUMAS FRUTAS:
Maçã: ela aparece em todos os rituais ciganos e é usada como base de perfumes, banhos, óleos e poções. Nas festas de casamento, as mesas com toalhas vermelhas e enfeites dourados também devem ser forradas com essa fruta, pois ela simboliza o amor e a paixão. Mais: casamentos sem maçãs significam que o amor não durará para sempre.

Pêras: são as frutas preferidas dos ciganos, junto com as maçãs. Entre os persas, acreditava-se que o seu sabor perdurava até depois da morte. Por isso a pêra também está ligada à imortalidade e à boa saúde, além, é claro, da prosperidade, pelo tom amarelo da fruta.

Melancia: muito presente na decoração das festas, significa prosperidade (pela abundância de sementes) e fertilidade (pela cor vermelha do seu interior).

Morango: mais uma fruta vermelha empregada em poções de amor. A cor vermelha e o sabor da fruta dão a energia necessária para conquistar o ser amado. É utilizada também para curar desilusões amorosas, em chás e poções.

Abacates: os ciganos não têm dúvida em adoptar frutas de outros países, desde que sejam doces. É o caso do abacate, originário do México.

Uvas: se um cigano lhe der um cacho de uvas rosadas bem doces, saiba que ele quer se aproximar de você e ser seu amigo – ou talvez algo mais do que isso. Para eles, uvas e amizade andam sempre junto. Como em outras culturas, elas também são sinónimo de prosperidade. Os ciganos afirmam, convictos, que o costume de comer doze uvas no reveillon – uma para cada mês – é uma tradição originada entre eles, assim como o hábito de ter frutas secas na mesa de Natal.

Figo: outro estimulante sexual (aberto, assemelha-se ao órgão genital feminino). Usado também como remédio para combater a depressão, a ansiedade e a falta de memória.

Romã: uma fruta muito antiga. É empregada em chás e essências, como atrativo de dinheiro e felicidade. Em banhos ou talismãs, é garantia de fertilidade.
Damasco: é a fruta afrodisíaca por excelência, vinda dos países mediterrâneos. A sua cor, o laranja, traz vitalidade, fortalecendo a energia sexual. Os ciganos transformam os damascos em óleos aromatizantes, para envolver o casal apaixonado com o seu perfume.

Amoras e framboesas: pela cor, significam paixões arrebatadoras. As folhas de framboesa são usadas sobre o corpo da mulher, para proporcionar um bom parto. Essas frutinhas também são utilizadas como ingredientes em poções afrodisíacas.

Cereja: é uma das frutas fundamentais na decoração das mesas de noivado e casamento, pois significa o amor. Em poções e banhos, tem a função de atrair um parceiro. Os ciganos afirmam que as cerejas são diuréticas e calmantes.

Melão: pode significar prosperidade e um casamento rico pela frente. A fruta veio da Ásia e faz parte da cultura cigana há muito tempo, muitas vezes substituindo a pêra. É usada na magia cigana para garantir a união da família.

Amêndoas e castanhas: no ano-novo, as amêndoas são colocadas na carteira para atrair dinheiro. As castanhas são comidas para garantir o vigor sexual.

Fonte: http://asas.chrome.pt/frutasciganas.html

Orações Ciganas


Oração aos 7 Ciganos:

Sete Ciganos! Que eu possa olhar a estrada de terra batida, as pedras do caminho e sentir vossas presenças.
Quando me sentir só que eu possa olhar para as árvores da estrada e sentir através de leve aragem as vossas forças. Que na minha tristeza eu escute o som do violino cigano, através do canto dos pássaros que se torne impossível eu ficar impassível porque é a vossa música dizendo que estais junto de mim. Que eu possa ir as montanhas e campos e descubra a beleza da natureza e sinta o maravilhoso poder de Deus se fazendo presente. Que eu possa deixar o orgulho, a tristeza, as decepções e obstáculos na terra, pois nada mais existe perante toda essa festa de cores, toda essa luminosidade que vem do arco-íris e representa as irradiações dos sete ciganos.
Que eu me sinta purificada neste ritual de cores e beleza.
Feliz e vitoriosa com a presença dos 7 ciganos na minha estrada.
Que assim seja!

Prece ao cigano Wladimir:

Ó glorioso e poderoso cigano Wladimir, neste instante,
é com o meu coração cheio da mais profunda fé,
que me dirijo ao teu luminoso espírito,
que tem poder e forças entre todas as entidades ciganas que hoje,
como estrelas brilhando no infinito,
são entidades que por misericórdia nos assistem em nossas aflições.
Em particular a ti, peço, querido cigano Wladimir, que me ampares,
com teu coração bondoso, jamais deixando que eu venha a cair
sob o impulso das provas desta vida;
protege meu corpo, livrando-o das doenças;
protege o meu coração,
não deixando nunca que nele se abrigue o ódio;
protege minha mente, para que ela seja sempre abrigo
de pensamentos positivos e de força;
protege a minha família,
protege o meu caminho, livrando-me dos inimigos,
da terra e do espaço.
Por todo o bem que sei que fazes sempre,
por todos aqueles que depositam fé incondicional em ti,
é que peço à Santa Sara, a Padroeira Universal dos Ciganos,
que encha teu espírito de Força, Luz e Poder,
para que estejas sempre pronto a atender aos teus filhos,
aos teus seguidores...
e a Deus, nosso Pai maior, peço que tome nos braços este filho
tão querido que és e, ao lado dele,
jamais esqueças de nós,
Ó glorioso e bondoso cigano Wladimir.
Amém

Oração cigana para realização de seus propósitos:

Salve a natureza! Salve o círculo mágico azul que me envolve!
Eu sou feliz e rica, eu tenho o hoje e o amanhã! Tenho o meu futuro pela frente!
A saúde tomou conta de meu corpo!
Obrigado, por tudo de bom que vós me destes e continuarás dando!
Porque eu posso, eu quero, eu mereço eu vou conseguir através da Lua Cigana, e dos Mentores Ciganos, eu realizarei todos os meus sonhos, porque querer é poder, e eu posso!
Salve Santa Sara Kali! Que sempre ilumine o meu caminho, afastando os inimigos da minha estrada, que os olhos deles não cheguem até os meus e que seus passos não cruzem o meu caminho.
Que assim seja e assim se faça!

ORAÇÃO CIGANA PARA UM NOVO DIA

Aqui estou, Senhor meu Deus, em tua presença, diante do altar da natureza, pronto para iniciar um novo dia. A minha alma reconhecida agradece a graça de ver de novo a luz do sol que nos aquece e nos dá a vida.
Estou curvado, com meus joelhos no chão, à espera que o Senhor da Bondade se digne a lançar sua bênção sobre seu servo, para que eu possa dedicar este dia a louvar e honrar a vontade daquele que reina sobre a Luz e as Trevas.
Aqui me curvo e aguardo as bênçãos sobre mim, minha família, meus amigos e minha gente, para que juntos possamos render graças a Deus, porque ele nos deu a Luz, porque ele nos deu a Vida. Amém!"

ORAÇÃO CIGANA DA NOITE

"Senhor Deus de Bondade, acolhe meu espírito e descansa meu corpo, ao fim de mais um dia. Purifica minha alma das tristezas e dos dissabores, enquanto a alimenta com as alegrias e os prazeres.
Senhor, leva-me ao sono, para que eu possa sonhar com tua glória, reconciliando-me com o passado, aceitando o meu presente e esperando confiante pelo futuro que me anuncias.
Concede-me, Senhor, após mais uma noite de descanso que eu tenha a graça de rever a luz do sol, para que possa continuar minha obra de louvar-te, amar-te e cumprir com teus mandamentos. Amém!"

O Chá Cigano


O saboroso TchÁyo Romanó, é um chá cigano tradicional passado de mãe para filha. É um dos mais belos rituais ciganos, onde se evocam as forças da Natureza para trazer saúde, amor, força, prosperidade e alegria. Seus ingredientes mudam a cada receita, mas alguns se mantém em todas elas.

Tcháyo Romanó
Ingredientes da Tintura
Chá preto natural
pedacinhos de canela
cravos-da índia
3 favas de cardamomo (opcional)
1 pedacinho de casca de limão branco
1 dose de uísque

Frutas para maceração
pedacinhos de damascos secos
fatias finas de limão branco sem casca
fatias de uvas rosé
pedacinhos de maçã vermelha
pedacinhos de ameixas ou morangos

Fazendo o Chá
Em um litro de água fervente, coloque todos os ingredientes da tintura, exceto o uísque. Desligue o fogo, abafe o recipiente e deixe esfriar. Acrescente o uísque quando for servir

A MAGIA DO CHÁ

Na hora de servir, coloque as frutas num copo de vidro, e amasse-as com um talher. Depois, acrescente a uma pequena porção da tintura e amasse mais um pouco. Em seguida, coloque esta mistura numa tigelinha de sobremesa, que os ciganos chamam de tiaritza, e acrescente água fervente. Se desejar, adoce com mel. Enquanto você amassa as frutas, procure estar em sintonia com os céus e atraia para você a realização de seus desejos.

Para acompanhar o chá, sirva biscoitos, pãezinhos, frios, bolos e tortas.

Tradições e Costumes do Povo Cigano


O povo cigano oriundo da Índia começou sua diáspora no ano 240 de nossa Era, após a invasão da Índia pelos persas. Desde que foram forçados a abandonar sua terra de origem, saíram em diáspora por todo o mundo. Perseguidos, incompreendidos e vítimas de todas as atrocidades, não perderam seu objetivo maior: viver em liberdade. Chegaram oficialmente ao Brasil como degredados, mas foi a partir de 1574 que oficialmente começaram a desembarcar nos portos brasileiros. Na Corte de D. João VI, assumiram suas profissões itinerantes para alegrar o dia-a-dia da Corte, e aos poucos foram conquistando o povo brasileiro.
Donos de um código próprio de honra, são regidos pelas suas próprias leis, guardadas por um tribunal - Kris Romaí - formado por homens sábios de seu povo. Possuem também sua própria língua -o Romani, ou Romanês, com mais de 100 dialetos. Esta língua tem raízes nos idiomas sânscrito, armênio, grego e persa, resultado de contatos através de dominações e invasões dos países onde se estabeleciam acampados.
Casam-se prioritariamente entre si, sem exigência de reconhecimento das leis do país onde se encontram, como única maneira de preservar suas tradições, costumes e a unidade de seu povo, mas não resistem preconceituosamente às uniões com não-ciganos (gadjé), quando existe amor, sinceridade e a promessa de manutenção dos hábitos do cônjuge cigano. Suas festas de casamento chegam a durar vários dias.
Louvam inúmeros santos em suas slavas (festas religiosas comemorativas). Cristãos por excelência, são devotos de N. Sra. da Conceição Aparecida, sua padroeira no Brasil; Virgem Sara, padroeira universal dos ciganos; Virgem Esperança Macarena, sua padroeira na Espanha; Virgem de Fátima; N. Sra. de Lourdes; N. Sra da Luz e N. Sra. da Lampadosa, entre outros. Atualmente inserem em seu culto cristão, a presença do Beato Ceferino Gimenéz Malla, conhecido como El Pelé, beatificado pelo Papa João Paulo Atualmente inserem em seu culto cristão, a presença do Beato Ceferino Gimenéz Malla, conhecido como El Pelé, beatificado pelo Papa João Paulo II, em maio de 1997.
Além da lição de liberdade, os ciganos são exemplos de vida que deveriam ser seguidos por todos. Não se conhece um só ancião cigano que tenha sido abandonado pelos seus familiares, tão pouco existem entre os ciganos crianças abandonadas. Ao contrário, tantos os velhos como as crianças são permanentemente alvo de atenção de todos. Os mais vividos guardam a coluna da sabedoria que sustenta a idoneidade de uma família cigana e os mais novos são a certeza da continuidade de suas tradições.


AS CRIANÇAS SÃO A MAIOR ALEGRIA DOS CIGANOS


“Elas são a garantia do futuro. A certeza de que nossas tradições serão eternas.”

Logo que nascem são o centro das atenções e alvo dos cuidados de todos da família e do clã. Ganham três nomes diferentes: um civil, com o qual serão conhecidas pelos não-ciganos, um apelido que pode ser engraçado, ou ainda um nome que tenha a ver com qualquer particularidade da criança. É com este nome que ela será conhecida em seu clã de origem. E por fim um nome que lhe será dado em segredo, pela mãe, com quem esteve em intimidade durante toda a gestação.

Para o povo cigano, a criança é o recomeço e a continuação da raça, a certeza de que suas tradições não se perderão no vento. Por isso, assim que nascem são tratadas com mimo, sem que a mãe deixe de mostrar o limite das coisas para a criança. É também a mãe que cuidará de sua educação pessoalmente, fazendo com que a criança possa aproveitar ao máximo o período da infância, quando desfruta mais intensamente da companhia das fadas, dos anjos e dos personagens oníricos, com quem convive diariamente.

Quando nasce um cigano, sua avó oferece a todos o pão das três fadas, para que o recém-nascido tenha sorte, saúde e prosperidade. A criança é então banhada numa pequena banheira ou num tacho numa mistura de água natural, vinho, flores, metais, ervas e perfumes. Estes ingredientes e o próprio ritual do banho do recém-nascido apresentam algumas variações de clã para clã.

A apresentação do recém-nascido à primeira Lua Cheia, após o seu nascimento é uma das tradições mais populares entre os ciganos brasileiros, principalmente os que vivem no interior do país. Para atrair a Boa Sorte e a proteção, a criança é erguida em direção à Lua pela avó ou pela madrinha, enquanto se diz:
“Lua, Lua, Luar, toma teu andar. Leva esta criança e me ajuda a criar. Depois de criada torna a me dar.”

O BATISMO É SAGRADO PARA OS CIGANOS.

Na verdade, o primeiro Batismo da criança cigana acontece quando a mãe lhe sopra aos ouvidos um nome que apenas ela conhecerá. O banho de sorte faz parte deste ritual. As cerimônias religiosas de batismo são realizadas nas igrejas freqüentadas pela família do recém-nascido.

OS RITOS FÚNEBRES (favor desenhar a cruz cigana ou o cortejo)

A morte de um cigano é chorada por nós por mais que seja esperada e previsível. São velados com muito respeito e comoção, mas daquele momento em diante, os ciganos contam com mais um intermediário entre o clã e Deus. Mesmo assim, evitam para pronunciar o nome de um ente-querido que se foi, o que só é feito se for totalmente indispensável. Alguns clãs queimam os pertences e objetos de uso pessoal do morto. Os ciganos acreditam que a alma de quem morre, mas o duho (o último suspiro) continua entre os vivos por mais quarenta dias, revisitando pessoas queridas, indo a lugares de que gostava e relembrando tudo o que lhe fizeram ou até vingando-se de pessoas inimigas. Para dar-lhe paz e apaziguar-lhe o espírito, parentes e amigos próximos procuram se manter unidos e se preparam para receber os que vêm de fora, acompanhar o enfermo. Durante este período, as lembranças de seus feitos são citadas por todos, numa demonstração de carinho, gratidão e afeto.

Quando a morte acontece todos se mostram tristes e surpresos. Uma vela acesa é colocada entre as mãos do falecido, para que ele seja guiado pela luz até o lugar que Ananke - o Destino - lhe reservou: Raio (céu) ou Catrano, embaixo da terra, onde ficam as almas dos condenados por Arangeloudan (divindade que representa a justiça divina) entre pixe e lama. Para os ciganos, é para lá que são enviados aqueles que matam ou blasfemam contra Deus.

Durante o velório não se permite a visita de pessoas indesejáveis ao morto. É importante levar licor, vinho, velas e flores. Alguns clãs reservam um jantar em outro recinto diferente de onde está o morto para relembrar momentos felizes da vida do falecido, a fim de alegrar seu espírito. Os objetos mais apreciados pelo morto são colocados dentro de sua urna funerária, junto com uma moeda, para “pagar” ao canoeiro que transportará o espírito do morto até sua morada final.

A GRANDE HOMENAGEM

Um ritual secreto é realizado alguns dias após a morte e tem o nome de Pomana. Detalhe sobre esta cerimônia não são abertamente revelados. Mas sabe-se que são servidos os pratos preferidos do morto e que seu lugar à mesa é resguardado. Este ritual se repete ainda por mais algumas vezes e os participantes não podem se embriagar. Muitos grupos ciganos guardam luto até a terceira repetição do ritual, ou por mais tem, se quem morreu foi uma criança. As mulheres se vestem de discretamente e os homens não fazem a barba. Já outras comunidades ciganas costuma, apenas no quadragésimo dia, colocar uma vela branca e pão em água corrente, dentro de um pequeno barco, num rio. Quando o barco se afasta, é sinal de que a alma está confortada e pronta para cumprir seu destino.


O BANHO DA SORTE E DA FORTUNA

Num belo tacho de cobre são colocadas ervas aromáticas frescas, vinho, mel ou açúcar, uma pitada de sal, ouro, prata e um perfume delicado. Este banho atrai a fortuna e a Boa Sorte para o bebê e é realizado no primeiro mês de nascimento.

O CASAMENTO - SURGE UMA NOVA FAMÍLIA


Desde que as crianças nascem , seus pais e avós começam a prepará-las para o casamento. Existe um desejo prioritário dos pais que é o de casá-los com outro cigano ou cigana. Através do casamento, os ciganos asseguram a perpetuação dos costumes e tradições. As festas ciganas de casamento podem durar até três dias, conforme a condição financeira das famílias dos noivos. Os ciganos mais tradicionais iniciam a festa com um grande almoço, onde são servidos pratos típicos à base de assados de carnes diversas. Sempre há muita música e dança e, no primeiro dia da festa nota-se a presença dos não-ciganos que são bem-vindos ao clã.

Hoje em dia, os casamentos são realizados em igrejas. Para a cerimônia religiosa a noiva veste o tradicional traje branco, comum também às noivas não ciganas. Segue-se a esta cerimônia, uma outra de maior beleza e significado para os ciganos, pois esta é oficializada por um membro da comunidade que tenha o respeito de todos. Os noivos então dividem o pão com sal e em alguns clãs quebram-se taças de cristal. Quanto mais cacos de cristais forem produzidos, maior a sorte do novo casal. Algumas brincadeiras são realizadas em torno da noiva, que recolhida a um compartimento - sala ou quarto, é oferecida por ela uma simbólica quantia em dinheiro, simbolizando a compra da noiva. A brincadeira consiste em tentar baixar significativamente o valor estipulado pelo guardião da noiva, que insiste em valorizá-la pelos seus dotes naturais e pela sua beleza física. Realizada a compra, a noiva é entregue à família do noivo, e após a cerimônia, o casamento é consumado.

A prova de virgindade se dá apenas às mulheres mais velhas, de maior confiança das famílias. Pois a virgindade é muito importante para os ciganos que acreditam que a mulher carregará para o casamento boa sorte e bênçãos para o marido e os filhos que terão. Terminada a prova de virgindade, os pais da noiva recebem os cumprimentos de todos os convidados e uma enorme bandeira é erguida em honra da mais nova mulher do grupo. É também costume de alguns clãs rasgar a camisa do pai do noivo, quando seus retalhos são disputados pelos outros componentes do grupo. Na ausência do pai, é a mãe da noiva que tem seus trajes rasgados.
Geralmente o jovem casal, muitas vezes com menos de vinte anos de idade cada um, passa a viver na casa dos pais do rapaz, pelo menos até que nasça o primeiro filho do casal. Este costume visa adaptar o novo casal para a rotina familiar.

O Mistério dos Mantos de Santa Sara


Todos os dias 24 de maio, uma grande multidão de ciganos de todas as partes do mundo, se reúnem na cidadezinha francesa de Saintes-Maries-de-la Mer, às margens do Mediterrâneo, para louvar sua rainha e protetora. Sara, a Negra ou a Kali, é levada pelas ruas da cidade, coberta de mantos de diversas cores, ao som dos violinos e das alegres músicas ciganas. Com ela chegam ao Mar e entram na água para recordar sua história.
Os mantos de Santa Sara escondem sua verdadeira forma. As mãos livres estendidas para frente, lembra que ela, Sara, está sempre disposta a amparar-nos, um vestido azulado que se abre e se funde com com as águas do mar, como se tivesse caminhando sobre as águas.
Oferecer um manto a Santa Sara faz parte de seu culto. Os mantos são para agradecer uma graça alcançada e os ciganos relacionam as cores ao benefícios de cada uma delas.
Conheça você também esta relação mística das cores dos principais mantos de Virgem Sara.

Branco - Paz de espírito. Casamento. Agradecimento.
Azul - Proteção. Luz espiritual. Poder intuitivo. Filhos.
Rosa - Amor. Compaixão. Maternidade.
Verde - Saúde. Agradecimento por bens adquiridos. Vitalidade.
Lilás - Carinho. Amor correspondido.
Púrpura - Agradecimento por prestígio e vantagens profissionais.
Amarelo ou dourado - Louvores. Agradecimento por vitórias alcançadas.
Prateado - Para atrair benefícios através dos anjos e santos.

Ciganos


Ciganos é um exônimo para roma (singular: rom; em português, "homem") e designa um conjunto de populações nômades que têm em comum a origem indiana e cuja língua provinha, originalmente, do noroeste do subcontinente indiano.
Essas populações constituem minorias étnicas em inúmeros países, entre a Índia e o Atlântico, e são conhecidas por vários exônimos. O endônimo "rom" foi adotado pela União Romani Internacional ( em romani: Romano Internacionalno Jekhetanipe) e pelas Nações Unidas. [14]
Na Europa, esses povos, de origem indiana e língua romani, são subdivididos em diversos grupos étnicos:
• Rom ou roma propriamente ditos, presentes na Europa centro-oriental e, a partir do século XIX, também em outros países europeus e nas Américas;
• Sinti, encontrados na Alemanha, bem como em áreas germanófonas da Itália e da França, onde também são chamados manoush;
• Caló, os ciganos da Península Ibérica, embora também presentes em outros países da Europa e na América, incluído o Brasil.
• Romnichals, principalmente presentes no Reino Unido, inclusive colônias britânicas, nos Estados Unidos e na Austrália.
Além de migrarem voluntariamente, esses grupos também foram historicamente submetidos a processos de deportação, subdividindo-se vários clãs, denominados segundo antigas profissões procedência geográfica, que falam línguas ou dialetos diferentes.
Em razão da ausência de uma história escrita, a origem e a história inicial dos povos roma foram um mistério por muito tempo. Até meados do século XVIII, teorias da origem dos roma se limitavam a especulações. No final do século, antropólogos culturais levantaram a hipótese da origem indiana dos roma, baseada na evidência linguística - o que foi posteriormente confirmado pelos dados genéticos.
Em 1777, Johann Christian Cristoph Rüdiger, professor da Universidade de Halle, na Alemanha, em carta ao linguista Hartwig Bacmeister, sugere uma possível ligação entre o romani e as línguas da Índia. Rüdiger baseava suas conjecturas em pistas fornecidas pelo próprio Bacmeister e por seu professor, Christian Büttner, mas também na sua própria pesquisa, realizada com a ajuda de uma falante de romani, Barbara Makelin, e apoiada em gramáticas hindustani. A hipótese teve ampla circulação entre seus colegas acadêmicos. Em 1782, Rüdiger publicou um artigo intitulado "Sobre o idioma indiano e a origem dos ciganos",[16] no qual compara as estruturas gramaticais do romani com as do hindustani. Trabalhos seguintes deram apoio à hipótese de que a língua romani possuía a mesma origem das línguas indo-arianas do norte da Índia. Baseado no dialeto sinti, este é o primeiro esboço gramatical acerca de uma variedade do romani, e é também a primeira comparação sistemática do romani com outra língua indo-ariana.