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15 de abril de 2012

Esteira Vegetal



Uma vez no curso extensivo de ervas foram dividos grupos onde cada grupo montou
uma esteira para cada elemento (Ar, Terra, Fogo e Ar), fiquei no grupo da Esteira do Ar.
Vou dividir com vocês os dois momentos,quando deitei na esteira e quando atendemos em conjunto, quero dividir as sensações e sentimentos que tive na noite de ontem.

Momento 1: Deitada na esteira

Quando fiquei em pé na esteira tive a impressão de entrar numa bolha de ar, meus ouvidos ficaram tampados, exatamente igual quando subimos a Serra de Santos. Mesmo de olhos fechados senti cada toque em minha aura ou corpo espiritual, senti cada baforada dos cachimbos e a fumaça envolvia-me, limpando e regenerando.
No momento que meus companheiros pediram que eu me deitasse na esteira, tive a sensação de uma leve queda de temperatura, mas nada que incomodasse, fui transportada para um local distante e difícil de descrever, só sei que meu corpo físico estava recebendo cuidados muito especiais, porém não deixei de senti-lo, era como seu estivesse ausente mas ao mesmo tempo sentia no meu ser o impacto de cada chacoalhada dos maracás, conseguia diferenciar o energia vinda das mãos de cada um dos meus companheiros.
Foi incrivelmente maravilhoso, confortante e revigorante, parece que colocaram as peças no lugar. Só fiquei com vontade de passar muitas horas na esteira, e acho que cada vez que eu me deitar em uma vai sempre restar esse gosto de quero mais.
Agradeço o cuidado dos meus companheiros e acima de tudo agradeço ao nosso Pai Criador por nos dar essa oportunidade.
Hoje sinto e vejo claramente o poder das Ervas e como sua energia nos envolve de uma maneira maravilhosa e difícil de explicar.
Mas uma coisa eu digo, quem se entrega e se deixa ser envolvido pela energia de Jurema nunca mais esquece.
Quem deita sua cabeça no colo de Mamãe Jurema sente seu cuidado e carinho por nós.
JUREMA É CURA. JUREMA É PODER. JUREMA É VIDA.

Momento 2: Atendimento

O que mais me marcou na hora do atendimento, foi as mudanças de temperatura de uma aura para outra e o aumento muito significativo da sensibilidade. Tanto que sentia a diferença de energia em algumas áreas. Senti as pontas de meus dedos formigando em certos momentos.
O que é maravilhoso é sentir a energia realmente sendo projetada, até a fumaça se propaga diferente quando estamos atendendo.
Enfim é maravilhoso ver a eficácia e ação das ervas.
SALVE A ESSÊNCIA VEGETAL DE NOSSO DIVINO CRIADOR.

OBS: O Curso Extensivo de Ervas é ministrado por Adriano  Adriano Camargo no Templo Escola Ventos de Aruanda em São Bernardo do Campo

20 de maio de 2011

A Linha do Oriente na Umbanda

Texto de Edmundo Pellizari

A Linha do Oriente é parte da herança da Umbanda brasileira. Ela é com¬posta por inúmeras entidades, classificadas em sete falanges e maiorita¬riamente de origem oriental. Apesar disso, muitos espíritos desta Linha podem apresentar-se como caboclos ou pretos velhos.
O Caboclo Timbirí (caboclo japo¬nęs) e Pai Jacó (Jacob do Oriente, um preto velho bastante versado na Ca¬bala Hebraica), săo os casos mais conhecidos. Hoje em dia, ganha força o culto do Caboclo Pena de Pavăo, entidade que trabalha com as forças espirituais divinas de origem indiana.
Mas nem todos os espíritos săo orientais no sentido comum da palavra. Esta Linha procurou abrigar as mais diversas entidades, que a princípio năo se encaixavam na matriz formadora do brasileiro (índio, portuguęs e africano).
A Linha do Oriente foi muito popular de 1950 a 1960, quando as tradiçőes budistas e hindus se firmaram entre o povo brasileiro. Os imigrantes chineses e japoneses, sobretudo, passaram a freqüentar a Umbanda e trouxeram seus ancestrais e costumes mágicos.
Antes destas datas, também era comum nesta Linha a presença dos queridos espíritos ciganos, que possuem origem oriental. Mas tamanha foi a sim¬patia do povo umbandista por estas entidades, que os espíritos criaram uma “Linha” independente de trabalho, com sua própria hierarquia, magia e ensinamentos. Hoje a influęncia do Povo Cigano cresce cada vez mais dentro da Umbanda.
Existem muitas maneiras de classificar esta Linha e este pequeno artigo, năo pretende colocar uma ordem na maneira dos umbandistas estudarem esta vertente de trabalho espiritual. Deixo a palavra final para os mais velhos e sábios, desta belíssima e diversificada religiăo. Coloco aqui algumas instruçőes que colhi com adeptos e médiuns afinados com a Linha do Oriente.
Namaste e Salve o Oriente!



CARACTERÍSTICAS DA LINHA DO ORIENTE:

• Lugares preferidos para oferendas: As entidades gostam de colinas descampadas, praias desertas, jardins reservados (mas também recebem oferendas nas matas e santuários ou congás domésticos).

• Cores das velas: Rosa, amarela, azul clara, alaranjada ou branca.

• Bebidas: Suco de morango, suco de abacaxi, água com mel, cerveja e vinho doce branco ou tinto.

• Tabaco: Fumo para cachimbo ou charuto.Também utilizam cigarro de cravo.

• Ervas e Flores: Alfazema, todas as flores que sejam brancas, palmas amarelas, monsenhor branco, monsenhor amarelo.

• Essęncias: Alfazema, olíbano, benjoim, mirra, sândalo e tâmara.

• Pedras: Citrino, quartzo rutilado, topázio imperial (citrino tornado amarelo por aquecimento) e topázio.

• Dia da semana recomendado para o culto e oferendas semanais: Quinta-feira.

• Lua recomendada (para oferenda mensal): Segundo dia do quarto minguante ou primeiro dia da Lua Cheia.

• Guias ou colares: Colar com cento e oito contas (108), sendo 54 brancas e 54 amarelas. Enfiar seqüencial¬mente uma branca e uma amarela. Fechar com firma branca. As enti¬dades indianas também utilizam o rosário de sândalo ou tulasi de 108 contas (japa mala). Algumas criam suas próprias guias, segundo o mistério que trabalham.

CLASSIFICAÇĂO DA LINHA DO ORIENTE
Suas Falanges, Espíritos e Chefes:

01 - Falange dos Indianos:
Espíritos de antigos sacerdotes, mestres, yogues e etc. Um de seus mais conhecidos integran¬tes é Ramatis. Está sob a chefia de Pai Zartu.

02 - Falange dos Árabes e Turcos:
Espíritos de mouros, guerreiros nômades do deserto (tuaregs), sábios marroquinos, etc... A maioria é muçulmana. Uma Legiăo está composta de rabinos, cabalistas e mestres judeus que ensinam dentro da Umbanda a misteriosa Cabala. Está sob a chefia de Pai Jimbaruę.

03 - Falange dos Chineses, Mongóis e outros Povos do Oriente:
Espíritos de chineses, tibetanos, japoneses, mongóis, etc. Curiosamente, uma Legiăo está integrada por espíritos de origem esquimó, que trabalham muito bem no desmanche de demandas e feitiços de magia negra. Sob a chefia de Pai Ory do Oriente.

04 - Falange dos Egípcios:
Espíritos de antigos sacerdotes, sacerdotisas e magos de origem egípcia antiga. Sob a chefia de Pai Inhoaraí.

O5 - Falange dos Maias, Toltecas,
Astecas e Incas:
Espíritos de xamăs, chefes e guerreiros destes povos. Sob a chefia de Pai Itaraiaci.

06 - Falange dos Europeus:
Năo săo propriamente do Oriente, mas integram esta Linha que é bastante sincrética. Espíritos de sábios, magos, mestres e velhos guerreiros de origem européia: romanos, gauleses, ingleses, escandinavos, etc. Sob a chefia do Imperador Marcus I.

07 - Falange dos Médicos e Sábios:
Os espíritos desta Falange săo especializados na arte da cura, que é integrada por médicos e terapeutas de diversas origens. Sob a chefia de Pai José de Arimatéia.

ALGUNS PONTOS CANTADOS
E SUA MAGIA
Aqui reproduzo alguns Pontos Cantados, mas destaco a sua eficácia mântrica e năo somente invocatória. Ou seja, nesta Linha os Pontos podem ser usados como mantras com finalidades específicas, independente de servirem para chamar as entidades para o trabalho de caridade no Centro ou Terreiro. Neste caso, os Pontos devem ser acompanhados das respectivas oferendas (veja abaixo).

PONTO DO POVO HINDU
• para afastar energias negativas diversas.
Oferenda: velas amarelas – 3, 5 ou 7, flores amarelas ou brancas e incenso de flores (rosa, verbena, etc...), colocados dentro de uma estrela de seis pontas, hexagrama, traçada no chăo com pemba amarela.

Ory já vem,
Já vem do oriente
A bençăo, meu pai,
Proteçăo para a nossa gente.
A bençăo, meu pai,
Proteçăo para a nossa gente.

PONTO DO POVO TURCO
• para afastar os inimigos pessoais ou da religiăo umbandista.
Oferenda: velas brancas – 3, 5 ou 7 e charutos fortes, dentro de uma estrela de cinco pontas, pentagrama, traçado no chăo com pemba branca. Jamais ofereça bebida alcoólica a este Povo.
Tá fumando tanarim,
Tá tocando maracá.
Meus camaradas, ajudai-me a cantar,
Ai minha gente, flor de orirí
Ai minha gente, flor de orirí.
Em cima da pedra
Meu pai vai passear, orirí.

PONTO DO POVO ESQUIMÓ
- para afastar os inimigos ocultos e destruir forças maléficas.
Oferenda: velas rosas – 3, 5 ou 7, pedacinhos de peixe defumado em um alguidar, tudo dentro de um círculo traçado no chăo com pemba rosa.

Salve o Polo Norte
Onde tudo tudo é gelado,
Salve Povo Esquimó
Que vem de Aruanda dar o recado.
Salve a Groenlândia,
Salve Povo Esquimó
Que conhece a lei de Umbanda.

PONTO DO POVO GAULĘS
• para as lutas e necessidades diárias.
Oferenda: velas brancas – 3, 5 ou 7, cerveja branca ou vinho tinto, tudo dentro de uma cruz traçada no chăo com pemba verde.

Gauleses, Oh gauleses,
Somos guerreiros gauleses.
Gauleses, Oh gauleses
Săo Miguel está chamando.
Gauleses, Oh gauleses,
Somos guerreiros de Umbanda,
Gauleses, Oh gauleses,
Vamos vencer demanda.

PONTO DO POVO ASTECA
• para buscar a sabedoria espiritual.
Oferenda : nove velas alaranjadas, milho, fumo picado, tudo dentro de um círculo traçado no chăo com pemba branca.

Asteca vem, Asteca vai
Nosso povo é valente,
Tomba, tomba e năo cai...
(cantar nove vezes)

PONTO DO POVO CHINĘS
• para proteçăo diante de situaçőes muito graves.
Oferendas: sete velas vermelhas (é a cor preferida deste Povo), arroz cozido sem sal, vinho branco, tudo dentro de um círculo traçado no chăo com pemba vermelha.

Os caminhos estăo fechados
Foi meu povo quem fechou,
Saravá Buda e Confúcio
Saravá meu Pai Xangô.
Saravá Povo Chinęs,
Que trabalha direitinho,
Saravá lei de Quimbanda,
Saravá, eu fecho caminho.

Curioso Ponto Cantado do Caboclo Timbirí – onde ele afirma sua origem japonesa.

ANTIGO PONTO DE TIMBIRÍ

Marinheiro, marinheiro,
olha as costas do mar...
É o japones, é o japones !
Olha as costas do mar.
Que vem do Oriente !

19 de maio de 2011

Erveiro - Evocações, Ativações


Espaço do Erveiro

Por Adriano Camargo

JUS - Junho - 2009

Salve sagrado irmãozinho e irmãzinha nas ervas.

Nas duas ultimas edições falamos dos amacis, as águas de lavagem de cabeça, fundamento na Umbanda e nos diversos cultos a Orixás. Um preparo com ervas não é uma pratica solta, requer uma base litúrgica ou um campo iniciático para que sua aplicação desencadeie o efeito desejado.

É função do sacerdote desenvolver em seus comandados o desejo para a realização dessas praticas, fundamentos da Umbanda, de forma correta, e principalmente com envolvimento necessário para que o resultado seja satisfatório.

Estamos caminhando para a facilitação dos processos e procedimentos, não com o intuito de negligenciar as praticas ou relega-las ao desleixo, mas com a intenção de que todos possam ter acesso a pratica natural, com dogmas aceitáveis e confiáveis.

Não apenas o fazer por fazer.

Mas o fazer por amor, com propósito claro e bem definido.

Um banho, amaci ou defumação preparado com propósito, é imantado, magnetizado mesmo, com a vibração e a intenção de quem o preparou e seu direcionamento claro, determina a qualidade do resultado.

Nós movemos energia com nossa mente.

Mas te¬mos um problema sério de concentração.

Quando falo dessa função sacerdotal, falo principal¬mente de desenvolver nas pessoas que vão fazer essas praticas, essa concentração, esse foco.

Quantos consulentes não tentam passar para o “Guia”, ou mesmo para o médium, a responsabili¬dade do resultado que gostaria de ter em sua vida. Quando recomendar que alguém tome um banho de ervas, ou mesmo faça uma defumação, é importante dividir a responsabilidade do bom resultado: o foco, objetivo, propósito.

Nossos irmãos dos cultos de nação têm nas rezas e cânticos em iorubá, uma forma única de ativar os processos com ervas ou outros ele¬mentos naturais.

Na Umbanda, vale lembrar que é importante para quem vai manipular as ervas, ou outro ele¬mento que exija uma reza evocatória, que a reza possa ser modificada de acordo com seu coração.

Isso mesmo, a ordem das palavras não altera o conteúdo, ou seja, se você preferir evocar de outra forma, não há problema, prestando atenção na força, ou divindade evocada. E melhor ainda, faça sua próprias evocações baseadas nas que colocamos aqui como exemplo e adapte sua palavras de acordo com o que fique mais fácil para você memorizá-las.

Vamos a alguns exemplos:

Evocação Básica (Geral):

Eu evoco Deus, nosso amado Pai Criador, evoco a Mãe Terra, vossas forças vegetais, o sagrado espírito vegetal e peço que abençoe esse banho, defumação, chá, etc., para o meu beneficio e beneficio de meus semelhantes, assim seja, e assim será.

Evocação Para Ativar a Defumação:

Divino Pai Criador, Mãe Terra, forças da Jurema, peço que abençoem essa defumação tornando-a força viva e ativa para a limpeza e equilíbrio dessa casa, e das pessoas aqui presentes. Assim seja e assim será.

Evocação Para se Preparar Para um Trabalho com Ervas:

Ajoelhar-se e com as palmas das mãos voltadas para o alto: Senhor meu Deus, meu Pai Criador, Amada Mãe Terra, Amados mestres inspiradores do astral superior. Grande foco divino que a tudo anima, peço que me envolva nas vossas vibrações de luz, de amor e caridade e faça de mim uma extensão do vosso amor e de vossa força curadora, para meu benefício e de meus semelhantes. Assim seja e assim será.

Ervas de Mãe Nanã


Orixá: Nanã Buroquê

Elemento: Água/Terra


Sentido Divino: Evolução


Fator principal: Decantador, transmutador


Atribuição: Transformar os seres paralisados em sua evolução através da decantação dos sentidos negativados.


Ervas Quentes: Cipó suma, pinhão roxo, chorão, peregun roxo, ...


Verbos atuantes nas ervas quentes: Afogar, decantar, alagar, ...


Ervas Mornas: Alfavaca, Alfazema, Assa Peixe, Bardana Folhas, Camomila Flor, Cana do Brejo, Capim Rosário, Confrei, Erva de Sta Maria – Mentruz, Hibisco Flor, Mulungu Casca / Raiz, Noz Moscada, Sete Sangrias, Trapoeraba, ...


Verbos atuantes nas ervas mornas: Apaziguar, regenerar, renovar, converter, amadurecer, ...


Frutas e alimentos: figo roxo, melão, mamão, arroz.


Flores: Campânula, trapoeraba, violeta, manacá da serra, hibisco


Portais de cura: folhas de chorão, agulhas antigas, água mineral ou de rio, velas lilases.


Banho / Amaci – purificador ou cura: folhas de chorão, eucalipto,


Banho / Amaci – apresentação, gira ou iniciação: alfavaca cravo, bardana, assa peixe, macela, noz moscada, trapoeraba, camomila, hibisco.


Firmeza à esquerda: tesouras velhas, agulhas antigas, olho de cabra, olho de boi

Contatos com Adriano Camargo: adriano@ervasdajurema.com.br

Este texto pode e deve ser retransmitido desde que se mantenha a fonte de origem (Jornal de Umbanda Sagrada) e a autoria do texto.